Actividates realizadas 2020

Atividades realizadas pelo CIDAC em 2020

Economia Solidária e Timor-Leste

16 Fevereiro. Em dezembro de 2019 arrancou formalmente a nova fase de trabalho do CIDAC com os parceiros timorenses. Depois de 2 anos em que refletimos em conjunto sobre o papel das Organizações da Sociedade Civil (OSC), decidimos aprofundar este processo, centrando-nos na temática da sustentabilidade financeira, nomeadamente na pesquisa e experimentação de formas alternativas de trabalhar esta dimensão da vida organizativa, por oposição ao modelo de “financiamento por projeto” que tem, hoje, um papel de quase exclusividade no financiamento das OSC um pouco por todo o mundo.
Apesar das tecnologias de comunicação à distância sentimos necessidade de nos encontrarmos pessoalmente e foi o que fizemos entre 16 de fevereiro e 1 de março últimos.
Em várias reuniões com o FONGTIL – Fórum ONG Timor-Leste e com a Natureza (pequena empresa associada à Fundação Haburas, com quem o CIDAC colaborou durante muitos anos) fizemos uma revisão dos compromissos assumidos neste novo projeto, preparámos propostas de alteração que nos pareceram essenciais ao melhor encadeamento das atividades, e partilhámos dúvidas relativamente aos conteúdos que queremos tratar, encontrando em conjunto potenciais formas de as ultrapassar.
Paralelamente, esta deslocação foi também uma oportunidade para reforçar laços com alguns dos grupos de produtores/as com quem colaboramos (e que esperamos, se venham a envolver também no projeto, um pouco mais à frente), nomeadamente as Bonecas de Ataúro, na ilha de Ataúro, a quem devolvemos a experiência de venda dos seus produtos na Loja de Comércio Justo do CIDAC; a Fundação Alola, e a Alola Esperança, em Díli, com quem conversámos particularmente sobre as atuais dificuldades económicas de Timor-Leste, muito associadas aos impasses políticos que se vêm vivendo; e ainda o Projeto Montanha, em Aileu, organização cujas instalações visitámos pela primeira vez, procurando aprofundar o nosso inter-conhecimento.
Mais uma vez saiu reforçada a ideia de que este projeto está construído de forma particularmente relevante para as duas organizações parceiras, permitindo-nos procurar, conhecer e experimentar alternativas no quadro da economia social e solidária, que possam contribuir para reforçar a autonomia das diferentes organizações envolvidas.
De regresso a Lisboa, confrontados com todas as limitações que, dia a dia, se estão a impor nas nossas vidas, vamos refletindo sobre como manter vivo o trabalho iniciado.

Sessão Comércio Justo com a Escola Secundária Marquesa de Alorna

27 de fevereiro. Recebemos consecutivamente duas turmas do 9.º ano da Escola Secundária Marquesa de Alorna, no quadro de uma iniciativa de promoção do Comércio Justo promovida pelo estabelecimento escolar.
Os cerca de 40 jovens puderam entender melhor a injustiça que caracteriza a cadeia comercial do café, através de uma dinâmica experiencial durante a qual, em pequenos grupos, entraram na pele dos vários atores que intervêm nesta cadeia, desde a produção até ao consumo. As duas turmas também tiveram a oportunidade de formular propostas individuais e de grupo para alterarem as suas práticas de consumo no sentido de maior solidariedade e cuidado com o meio ambiente. Estas sessões acabaram com uma visita guiada à nossa Loja de Comércio Justo.
Na semana a seguir, foi apresentada na escola a nossa exposição “O comércio pode ser justo!”, que poderá descobrir aqui.
 
O CIDAC na reabertura do Jardim Botânico Tropical

Janeiro 25 e 26. O Jardim Botânico Tropical da Universidade de Lisboa reabriu em janeiro, após um ano de obras de requalificação. Para marcar a efeméride, a entidade organizou um fim de semana de atividades, desde visitas guiadas, concertos, a um mercadinho de rua, para o qual o CIDAC foi convidado a ter uma banca com produtos da nossa loja. Durante dois dias e com o apoio de algumas voluntárias, demos a conhecer o comércio justo às dezenas de pessoas que visitaram o jardim e que se aproximaram da nossa banca.
 
Projeto “Povos, Culturas e Pontes” no Seixal

Janeiro - maio. Pelo segundo ano consecutivo, o CIDAC iniciou um ciclo de sessões de sensibilização em escolas do concelho do Seixal, no quadro do projeto “Povos, Culturas e Pontes”, dinamizado pela Câmara Municipal do Seixal. Desde janeiro e até maio de 2020, iremos intervir em 4 escolas do concelho, junto das turmas do 7.º e do 8.º ano, com intervenções construídas à volta das temáticas do Comércio Justo e do Consumo Responsável. Além das sessões dirigidas diretamente aos alunos e alunas, este ano a nossa intervenção contempla também momentos de capacitação dos professores e professoras da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento das escolas envolvidas. Esta iniciativa de Educação para a Cidadania Global conta igualmente com a participação da associação Rato-ADCC, do Conselho Português para a Paz e Cooperação e da Fundação Gonçalo da Silveira.
Jovens Embaixadores do Comércio Justo

Fevereiro. Continua a nossa intervenção junto de jovens alunas e alunos que defendem o Comércio Justo em  várias escolas secundárias. Na Escola Secundária de Amora, por exemplo, os e as jovens das turmas de 10.º ano de Gestão e de Comércio ficaram muito chocados quando trabalhámos a questão das condições de trabalho na industria têxtil. Decidiram aprofundar este tema e realizar um vídeo sobre o tema para sensibilizar a comunidade escolar sobre as práticas das marcas mais populares entre os/as jovens. Outro grupo lançou um estudo junto dos/as seus/suas colegas do 10.º ano até ao 12.º ano para conhecerem melhor os seus hábitos de consumo no seio da escola, de modo a se poder pensar uma atividade regular de comercialização de produtos de comércio justo no estabelecimento. Na Escola Fernão Mendes Pinto, em Almada, são os alunos de Religião e Moral que se juntaram à iniciativa, com um grupo do 10.º ano e um grupo do 7.º até ao 9.º ano.
Em ambos os casos estava em preparação uma viagem de estudo a França, na primeira escola certificada como Estabelecimento de Comércio Justo e com quem o CIDAC colabora há já vários anos, mas a atual situação de contenção e de encerramento de estabelecimentos e de fronteiras não irá permitir a concretização desta atividade este ano. À imagem dos Jovens Embaixadores do Comércio Justo, é toda a nossa linha de intervenção em meio escolar que se encontra perturbada com a pandemia que enfrentamos.
Sessão sobre Comércio Justo na BASE-FUT

10 fevereiro. Fomos convidados pela Base-Fut – Base-Frente Unitária de Trabalhadores e a Associação Amigos de Aprender para animar uma sessão sobre Comércio Justo. Os Amigos de Aprender baseiam a sua ação no aprofundamento reflexivo sobre temas de fundo e sobre a realidade do mundo, do país e das comunidades, para melhor intervir nelas, aproximando-se muito da abordagem promovida pelo CIDAC.

Entre as 14h00 e as 17h00, pudemos abordar a temática da injustiça no comércio convencional, dos fenómenos de exclusão e de como o Comércio Justo constituiu uma alternativa a estas situações. O ambiente informal e a vontade de aprofundamento dos e das participantes permitiram também entrar na complexidade e nas contradições desta alternativa, nas suas várias dimensões, mas com um enfoque particular sobre os desvios induzidos pelos processos de certificação e a co-optação pelos atores dominantes da economia de mercado.

O encontro foi também ocasião para refletirmos sobre os fenómenos de erosão das dinâmicas associativas clássicas e sobre as relações com os movimentos informais de intervenção, que constituem um meio de participação privilegiado pelas gerações mais novas. Neste quadro, é interessante notar que é graças à ligação do CIDAC e da Base-FUT com um desses movimentos, o Climáximo, que este encontro se concretizou!

Oficina de formação para docentes “Viver e mudar a escola em conjunto”

18 de janeiro. Terminou, a oficina de formação para professores e professoras dos Agrupamentos de Escolas Lindley Cintra e de Benfica, enquadrada no projeto “Escola, Ser Vivo dentro de um ecossistema”, desenvolvido pelo CIDAC e pela FGS.
Propusemos a um grupo de cerca de 20 professores/as um percurso de investigação e ação, imbuído dos valores e dos princípios da Educação para o Desenvolvimento-Educação para a Cidadania Global que defendemos. De setembro a janeiro, os e as docentes dividiram-se em grupos e trabalharam nas suas escolas problemáticas identificadas, criaram e aplicaram instrumentos de investigação que aprofundassem essas problemáticas e, com base nesse manancial de informação, delinearam pequenas ações a levar a cabo nos próximos meses.
A oficina contou com seis sessões presenciais, onde os grupos trocavam ideias sobre os seus percursos, pontuadas por muitos momentos de encontro dos grupos, de que faziam parte elementos das duas organizações. Os percursos dos vários grupos não foram lineares. Foram feitos de dúvidas, de avanços e recuos. Também a participação dos e das formadoras da oficina enquanto parte integrante desses processos não foi fácil gerir. No entanto, enquanto organizações que procuram questionar a sua prática, este foi um elemento de particular reflexividade.
No geral, os e as professoras fizeram uma avaliação positiva tanto do seu trabalho como da oficina. Ainda no âmbito desta formação, iremos organizar uma visita de estudo e as duas organizações irão continuar a acompanhar a implementação das ações desenhadas pelos grupos.