Atividades Realizadas 2024

CIDAC: 50 anos de desassossego em liberdade!

26 de maio. O CIDAC nasceu num momento de viragem do obscurantismo e da repressão para horizontes promissores de mais justiça, viragem da qual celebramos, este ano, os 50 anos! Este percurso iniciado em maio 1974 e assente na solidariedade internacional cruzou-se com muitas pessoas, de muitas gerações, sócias, trabalhadoras, estagiárias ou voluntárias. Algumas ainda estão, outras ficaram muito tempo, algumas, só de passagem, mas todas enriqueceram a associação e todas levam em si um pouco do CIDAC e dos seus ideais de justiça. Muitas organizações amigas e pessoas cúmplices, em Portugal, na Europa, na Guiné-Bissau, Timor-Leste, Cabo-Verde… fizeram este caminho connosco, alargando sempre o campo dos possíveis! 50 anos de cooperação e de outras educações de trabalho com outros/as, 50 anos à procura de novos caminhos, novas ideias, estratégias, 50 anos a afirmar, a recusar e a duvidar… a tentar manter autonomia, independência, a ser uma outra voz. Muito há e haverá para comemorar, mas achámos que a melhor forma de dar o pontapé de saída para esta celebração era re-encontrarmo-nos, conversar, convivermos. Foi assim o almoço dos 50 anos do CIDAC, com cerca de 100 pessoas, de gerações e lugares diferentes. Com a música guineense de Mamadu Baio e com as palavras de pessoas próximas, entre elas, o representante em Portugal da Frente Polisário, atualizámos as lutas e as solidariedades. Venham mais 50!

Do Capitalismo Fóssil ao Movimento Global pela Justiça Climática: mais círculos de leitura!

15 e 29 de maio. Com a dinamização do Climáximo, voltámos aos círculos de leitura em torno da revista Outras Economias. Em dois momentos diferentes, o CIDAC acolheu quinze entre leitores e leitoras para discutir vários conteúdos da revista, priorizando a leitura em conjunto e a discussão entre pares. Num primeiro encontro, criaram-se pequenos grupos de discussão à volta da ligação entre capitalismo e combustíveis fosseis, com um momento final em plenário onde cada um/a partilhou as reflexões que surgiram no seu grupo e da sua experiência de leitura. A discussão foi animada e, com perspetivas diferentes. Conseguimos debater e analisar o atual sistema económico tentando perceber o que é que o capitalismo tem a ver com os combustíveis fósseis. Refletimos sobre algumas alternativas existentes, as comunidades de democracia energética e sobre uma utilização dos recursos energéticos mais justa e democrática. No segundo encontro, o foco foi nas formas de resistência dass populações e associações/ coletivos. Mostrámos o Mapa do Panorama do Movimento Global pela Justiça Climática, com alguns dos principais movimentos no mundo. A partir de lutas em Portugal, na Guiné-Bissau, na Tanzânia e na Uganda, cruzámos ideias e perspetivas sobre possíveis formas de resistir, em contextos políticos e culturais diferentes, sobre as múltiplas ferramentas de lutas e a importância da sua diversidade, as aparentes incoerências que algumas estratégias levantam e sobre como podemos envolver-nos coletivamente para construir resistência e alternativas. Nas conversas, tivemos sempre presente a ligação direta entre sistema económico e crise climática. Lutar por justiça climática passa necessariamente por lutar por um sistema económico mais justo e solidário: sem justiça económica não pode haver justiça climática, e vice-versa.

Rumo à Democracia Energética!

11 e 12 de maio. A poucos metros do CIDAC, no Liceu Camões, participámos com grande entusiasmo na primeira edição das Jornadas pela Democracia Energética. A questão da produção, distribuição e gestão da energia é um ponto crucial para o nosso presente e futuro, especialmente para responder às crises climática, social e ecológica. Foram dois dias de encontros, debates, conversas e oportunidades para construir e fortalecer redes entre pessoas, coletivos, associações, cooperativas, movimentos e lutas sociais e ambientais, ativamente empenhadas na construção de um futuro e de uma transição energética socialmente justa, pública e democrática. Pondo em causa o atual modelo energético centralizado, fóssil, neocolonial e capitalista, falou-se de como imaginar um novo modelo 100% renovável, baseado na ideia de energia como um bem comum e um direito universal. Entre as várias conversas que decorreram nestes dois dias, participámos em ricas e interessantes partilhas sobre a questão fundamental do decrescimento e da suficiência energética; debatemos ações para erradicar a pobreza energética e desenhar modelos de mobilidade democrática e partilhamos - visibilizando-as - as lutas contra os grandes projetos extrativistas, nomeadamente, no Alentejo. Foi um evento muito participado! E recebemos também alguns feedback sobre a revista "Outras Economias". Parabéns à organização das Jornadas, com a esperança de participar em edições futuras!

Celebrando a Liberdade e a Diversidade, 50 anos depois do 25 de abril

2 e 3 de maio. Liberdade – Libertações foi o lema da 5.ª Oficina da Interculturalidade da Escola Secundária de Amora, que marcou o final de um ano letivo dedicado à celebração dos 50 anos do 25 de abril. Foram dois dias de festa, com música, dança, poesia, desfile de trajes, gastronomia e bancas dedicadas aos países que foram colonizados por Portugal. Do Brasil a Timor-Leste, cada banca oferecia informações sobre a história política de cada país, antes e depois do 25 de abril. Parte da preparação e dos materiais expostos resultou de uma visita ao centro de documentação do CIDAC pelos grupos de alunos/as que prepararam o evento. Cada banca tinha também pratos apetitosos do país que representava!
Da parte do CIDAC, participámos com uma banca de comércio justo e com informações sobre a associação antes e depois do 25 de abril. E lançámos um convite ao coletivo Consciência Negra, para que dinamizasse uma oficina sobre a des/colonização. “O 25 de Abril nasceu em África" permitiu a um grupo de alunos/as explorar as lutas de libertação dos povos colonizados por Portugal e as continuidades históricas, que se traduzem no racismo estrutural no nosso país.

 O conhecimento constrói-se coletivamente!

19 de abril. Demos o pontapé de saída dos círculos de leitura à volta da revista Outras Economias. Com esta iniciativa pretendemos criar uma comunidade de leitores e leitoras que discutam os temas e as perspectivas abordadas na revista e as façam viver em debates e discussões, e que possam alimentar e fazer germinar práticas alternativas ao sistema económico hegemónico. Com uma abordagem horizontal, vamos construir conhecimento de forma partilhada. Esperamos também estimular e receber sugestões relativas aos formatos e aos conteúdos da revista, tendo em vista a sua melhoria contínua. Neste primeiro encontro, que contou com 10 participantes, lemos e debatemos o artigo A Terra levanta-se! Autonomia, campesinato e lutas climáticas, sobre a luta dos Les Soulevements de la Terre, na França. A discussão foi rica e animada, e recolhemos já algumas sugestões para futuros encontros. Agora é só esperar pelo próximo.

Uma tarde no Museu do Trabalho

9 de abril. O mundo do trabalho antes e depois do 25 de abril é a grande temática que temos explorado com uma das turmas da Escola Secundária de Amora e o seu professor de Cidadania e Desenvolvimento, neste ano letivo. Para poderem ter uma visão mais palpável de algumas profissões, dos modos de trabalho, mas também das lutas e reivindicações laborais, das condições de trabalho e formas de vida antes do 25 de abril, visitámos o Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal. A nossa simpática guia convidou alguns e algumas das alunas a experimentarem algumas profissões, desde o merceeiro à operária numa fábrica de conservas, nos vários cenários existentes no museu. Foi um momento inspirador para a atividade final que a turma irá dinamizar na sua escola já no dia 15: um debate sobre mulheres e imigração no mundo do trabalho, antes e pós 25 de abril.

Peddy-paper na Escola Básica e Secundária da Chamusca

27 de março. Após o primeiro encontro residencial realizado em 2023, os e as jovens participantes que estudam na Escola Básica e Secundária da Chamusca organizaram um peddy-paper para duas turmas da sua escola. O percurso consistiu em três etapas: uma, em que os e as participantes respondiam a um quiz com perguntas sobre divisão das tarefas e responsabilidades domésticas, entre mulheres e homens; outra, em que lhes propuseram que mimassem tarefas domésticas a que geralmente se atribui pouca importância (uma pessoa do grupo mimava, o resto do grupo tinha que adivinhar) e, uma terceira, em que os/as participantes tinham que distribuir cubos (caixas de papelão) correspondentes também a tarefas domésticas, em três linhas: a dos homens, a das mulheres e mista, no final, tinham que carregar as caixas nos braços por um percurso definido. Este conjunto de atividades permitiu a reflexão dos/das participantes sobre as desigualdades entre homens e mulheres. Pode ler aqui a notícia escrita pelos e pelas jovens dinamizadoras da iniciativa.

CoESA, Co-construindo cidadania global na escola

Março. Desde o início do ano letivo 2023-24, a equipa do CIDAC caminha em conjunto com a Escola Secundária de Amora, num percurso marcado pelas noções de cidadania e de desenvolvimento, e com os 50 anos do 25 de abril como pano de fundo. É o projeto CoESA, uma parceria entre a ESA e o CIDAC, cofinanciado pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e que visa enraizar uma cultura de Educação para o Desenvolvimento nas práticas educativas da Escola, reforçando um modelo colaborativo entre Escola e ONGD.
4 professores/as aceitaram a proposta de trabalho do CIDAC e da equipa de coordenação da área curricular de Cidadania e Desenvolvimento para acompanharmos, juntos/as, as suas turmas no quadro desta área curricular, que se foca neste ano no antes e no depois do 25 de abril. Desde outubro, três membros do CIDAC deslocam-se quinzenalmente ao Seixal para trabalhar numa perspetiva crítica de ED, nos domínios tratados por cada uma das 4 turmas, o Trabalho, a Saúde, o Desenvolvimento Sustentável e os Direitos Humanos.
Além do trabalho em sala de aula, intervimos também no espaço não letivo. Nesta linha da intervenção, realizámos, com o apoio da professora bibliotecária, um ciclo temático sobre a censura durante o Estado Novo com a instalação da exposição “Silenciados”, resultante de uma colaboração com a Ephemera; a organização do colóquio “Censura e Liberdade de Expressão”, que contou com a participação do Adelino Gomes e da Luísa Teotónio Pereira (e um concerto da Banda da Escola convocando Zeca Afonso e Sérgio Godinho!); e a exposição de trabalhos de alunos e alunas À volta do tema “Expressa a tua liberdade de expressão!”. Até ao final do ano, iremos organizar mais um ciclo, desta feita sobre o colonialismo e as lutas pela independência, com oficinas, exposições e encontros com artistas.
De um ponto de vista mais simbólico, lançámos no início do ano a ideia de se realizar uma obra coletiva alusiva aos 50 anos do 25 de abril, com base num processo participativo que possa abranger o conjunto da comunidade escolar. Este processo permitiu ouvir as ideias de todas as turmas, de professores/as, de encarregados/as de educação e do pessoal não-docente, e de apurar um modelo em que cada turma e cada grupo irá realizar uma pintura no muro exterior da escola, que resultará num mural de cerca de 30 metros, oferecendo à comunidade envolvente um mosaico de visões e perceções do 25 de abril.
Este caminho, que começámos a trilhar há cerca de 7 anos com a Escola Secundária de Amora, prolongar-se-à pelo ano 2024-2025, ainda no quadro do projeto CoESA.

Participação no programa EUROSCOLA

27 e 28 de maio. O Instituto Português do Desporto e Juventude, em conjunto com o Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, a Assembleia da República, Assembleias Legislativas e Direções Regionais de Juventude dos Açores e da Madeira organizaram mais uma edição do programa EUROSCOLA, para a qual fomos convidados/as a participar enquanto membro do júri nacional. O programa é dirigido a alunos/as do ensino secundário, no âmbito da cidadania, e consiste na simulação do trabalho dos/as Eurodeputados/as numa sessão do Parlamento Europeu. Para tal, os e as estudantes de todo o país podem submeter trabalhos, numa versão escrita e oral, que após avaliação do júri, concedem aos e às alunas e escolas vencedoras a possibilidade de irem até Estrasburgo. Este ano o tema foi "Promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos povos”, foram 20 as escolas selecionadas a nível nacional e destas, 3 irão participar com colegas de outros Estados-membro na simulação do Parlamento Europeu. Os trabalhos foram muito variados em termos de abordagem, de leituras possíveis do tema até, na versão oral, às linguagens utilizadas, desde o vídeo, à música, ... à magia! Demonstrando grande empenho e compromisso com os valores éticos e políticos em questão, por parte dos e das alunas que representaram as suas escolas e dos/das seus/suas professores/as.

Outras Economias na Covilhã: quando a conversa dá vontade de fazer!

9 de maio. Voltamos a visitar a cooperativa CooLabora, na Covilhã, que nos convidou a apresentar o segundo número da revista "Outras Economias". A apresentação foi realizada com um grande grupo de jovens que costuma participar nas atividades do projeto Coolaboratório. Mais do que uma apresentação, o que aconteceu foi exatamente o que a revista gostaria de proporcionar: uma bela e rica conversa! A partir de alguns conteúdos abordados na revista, mas sobretudo com a grande participação e conhecimentos das e dos jovens, gerou-se uma reflexão participada por todos/as, trocaram-se opiniões e pensou-se concretamente nas alternativas ao capitalismo fóssil a que nos podemos juntar! Como sempre, quando se fala de justiça climática, surgiram muitos assuntos, desde a urgência de agir, e as possíveis formas de o fazer; as alternativas que já existem; as lutas dos movimentos, locais, nacionais e internacionais; falou-se de neocolonialismo e de neoextrativismo, dos mecanismos políticos e estruturais que devemos combater para que uma transição energética seja realmente possível e justa para todas as pessoas, tanto no Norte quanto no Sul global, tanto nas capitais quanto nas regiões interiores. A conversa foi tão bonita e rica que durou mais do previsto e acabou com muitas ideias concretas, a serem realizadas! Venham mais visitas à Covilhã!

Cidadania em Ação!

15-18 de abril. As últimas semanas têm sido de grande azáfama na Escola Secundária de Amora (ESA). Toda a escola, em particular os e as estudantes de Cidadania & Desenvolvimento, tem partilhado com a comunidade educativa os seus percursos de reflexão e debate sobre os domínios desta área curricular, cruzando com os 50 anos do 25 abril. As 4 turmas que o CIDAC tem acompanhado não são excepção. No dia 15, a turma de 2.º ano de Técnicos/as de Turismo dinamizou um debate relacionado com o domínio que explorámos desde outubro: o mundo do Trabalho. Com  a participação do MDM, da UMAR e do projeto teatral “Pêndulo”, discutiram-se durante duas horas e meia questões ligadas às “Mulheres e Imigração no mundo do Trabalho, antes e depois do 25 de abril”.
No dia seguinte, a turma do 10.º G de Línguas e Humanidades, que trabalhou sobre o domínio “Direitos Humanos”, montou uma exposição no pavilhão central da escola dedicado ao tema Migração no Mediterrâneo. Através da arte expressaram a realidade dramática que milhares de pessoas vivem ao tentar chegar à “fortaleza Europa”.
No dia 18, a turma 3.º ano de Técnicos/as de Ação Educativa, que fez um percurso à volta da Saúde, organizou uma tarde com três momentos: uma palestra dada por uma psicóloga sobre a saúde mental antes e depois do 25 abril; a visualização de entrevistas a duas mulheres que vivem, atualmente, numa casa para pessoas idosas no concelho do Seixal, e que falam a partir da sua experiência de vida sobre questões como a habitação e a educação, questões que raramente ligamos à dimensão da saúde. Por fim, um momento de discussão sobre as políticas públicas de saúde antes de 1974 e hoje.
Todas estas atividades foram pensadas e organizadas pelas turmas, em conjunto com os e as suas professoras e a equipa do CIDAC e representam importantes momentos de concretização de cidadania e da Escola enquanto lugar de formação de sujeitos políticos!
As comemorações dos 50 anos do 25 de abril irão continuar na ESA com as Oficinas de Inteculturalidade, já em maio, onde a quarta turma irá igualmente partilhar os trabalhos realizados com a restante comunidade educativa.

Segundo encontro do Sem Sombras: olhar de perto as desigualdades!

2 e 3 de abril. Para o segundo encontro residencial do projeto Sem Sombras voltámos ao Centro do Graal na Golegã, onde nos encontrámos com um grupo de jovens da Chamusca, Ponte de Sôr, Constância e Alpiarça. O grupo acolheu novas pessoas que participaram no projeto pela primeira vez. Após um primeiro momento, dedicado ao reencontro, com dinâmicas de  interconhecimento do grupo, e ao enquadramento do projeto Sem Sombras, ouvimos as partilhas dos grupos de jovens da Chamusca e de Ponte de Sôr sobre as ações de sensibilização entre pares que implementaram e que estão a planear fazer nas suas escolas. Passámos a tarde com o Eduardo Frazão, ator que trabalha com o Teatro do Oprimido, uma metodologia teatral, através da experiência em primeira pessoa e da ferramenta fundamental que é o diálogo, e que tem como objetivo a transformação social da realidade. Juntas vivenciamos diferentes jogos teatrais e dinâmicas de grupo, dialogámos sobre as sensações que suscitaram, trocando opiniões, e representámos situações de desigualdade entre homens e mulheres como a discriminação no mercado laboral, o assédio sexual e a sobrecarga das mulheres com responsabilidades domésticas e de cuidado. Acabámos o dia com uma fantástica caça aos ovos pela casa! No segundo dia, voltamos a pensar nas situações de desigualdade que teatralizámos no dia anterior, tentando identificar e analisar as respectivas causas e consequências. Ao explorar as raízes das situações sentidas como problemáticas, procurámos perceber que consequências podem ter tanto para as mulheres como para os homens: trazer luz as raízes e os frutos para poder mudar! Mais uma vez percebemos a importância de aprofundar os temas através da partilha de vivências pessoais e da reflexão coletiva: obrigada a todas as e os jovens que aceitaram o desafio e participaram com tanto entusiasmo! Animadas para esta segunda etapa, voltaremos a encontrarmos nas comunidades destas e destes jovens em breve, antes de voltar à Golegã para o próximo encontro residencial.

A luta antirracista e anti-colonial através da arte: Xullaji na Escola Secundaria da Amora!

22 de março. Recebemos, juntamente com 4 turmas da Escola Secundária da Amora e a equipa de Cidadania e Desenvolvimento, o rapper, músico e artista multifacetado Xullaji no auditório da escola, com o qual tivemos uma conversa muito participada e enriquecedora! Xullaji, nome artístico principal de Nuno Santos, de pais cabo-verdianos mas nascido e crescido na Margem Sul, é um nome fundamental do hip hop português que tem, desde o início do seu percurso artístico, utilizado o rap e a música como lugares de luta anti-racista e anti-colonial. A partir do visionamento de um dos seus vídeos, A luta continua, falámos de vários temas: desde porque é que ele quis fazer música, ainda miúdo; da importância da cultura hip-hop para o seu crescimento político, pessoal e musical; da situação atual do racismo em Portugal; das mudanças que se deram na luta antirrascista depois do 25 de abril; mas também da globalização e das migrações no mundo por causa das políticas predatórias do neocolonialismo, das relações entre a economia hegemónica e a nossa cultura... e muito mais! Até à importância da arte, quando entendida como empenho social, que nos ajuda a perceber o mundo e não apenas a entreter-nos, adormecendo-nos ainda mais! Xullaji ajudou-nos a perceber o quanto campos como a música e as lutas políticas estão entrelaçados. Falámos de música e de envolvimento político antirrascista e anti-colonial, da música de intervenção portuguesa, mas também de teatro e das várias formas artísticas que o Xullaji põe em ação e, sobretudo, dos valores que, qualquer que seja a forma escolhida, orientam o trabalho de tantas e tantos artistas que escolhem a arte para lutar por um mundo mais justo. Os e as jovens estudantes participaram animadamente, com muitas perguntas e comentários que geraram um debate rico em opiniões diferentes, num clima de diálogo e de escuta recíproca, sem medo de dizer o que pensam, e com vontade de aprender em conjunto. Tantas foram as perguntas e intervenções que quase não deixávamos o Xullaji ir-se embora... Encerrámos o encontro com uma prenda feita por um estudante, que a escola ofereceu ao artista, convidando-o a voltar quando quiser: uma escultura com um abraço, simbolizando o abraço que a escola lhe deu! Obrigada ao Xullaji por ter partilhado este momento connosco e aos e às jovens que participaram com tanto entusiasmo!

Outras Economias: lançamento do #2

7 de fevereiro. Clima e economia: que relação? O segundo número da revista Outras Economias, elaborado em conjunto com o Climáximo, tenta explorar e explicitar como a emergência climática e o sistema económico (social, cultural, ecológico...) se entrelaçam, historicamente e na atualidade. Capitalismo fóssil, transição vs expansão energética, alternativas energéticas e socioecológicas, lutas e movimentos ligados à justiça climática, são alguns dos temas que compõem esta edição e que foram os tópicos de discussão no lançamento da revista. As intervenções de Guilherme Luz, investigador e um dos organizadores das Jornadas pela Democracia Energética, e da Arte, da Greve Climática Estudantil, fomentaram e enriqueceram o debate com os e as participantes, num fim de tarde animado, na biblioteca do Chapitô.