Educação para o Desenvolvimento (ED)

A Educação para o Desenvolvimento (ED) é um processo educativo que envolve as pessoas e as instituições como um todo, incentivando-as a criar um pensamento crítico sobre o mundo em que vivemos, e sobre si próprias neste contexto, e a agir em conformidade no sentido da transformação social.

O conceito nasceu nos anos 1970 e tem vindo sempre a evoluir, ao mesmo tempo que as noções de “educação” e de “desenvolvimento” se vão tornando mais complexas e até, em parte, questionáveis. Cabe à ED, também, refletir e participar nos debates da sociedade sobre como vemos a educação e como vemos o desenvolvimento. Agora, certamente de uma forma diferente da que era comum há umas décadas atrás (ver aqui um artigo sobre a evolução histórica do conceito).

Por isso não há uma definição única do que é a ED, mas uma multiplicidade de propostas, elaboradas por diferentes organismos, em diferentes tempos (ver aqui algumas delas).

Nenhum processo educativo é neutro – demonstrou-o muito bem, entre outros, Paulo Freire. A ED assume valores e princípios que norteiam a sua visão e as suas práticas. Um deles é, justamente, que não há uma separação entre forma e conteúdo – o “como” se faz diz sempre “o que” se quer fazer. Daí que aprender a ler o contexto – local e global – em que vivemos esteja no coração da ED. Mas aprender para mudar, em coerência com a justiça, a equidade e a solidariedade. Nada fácil, um longo caminho, um percurso sem fim à vista.

Uma parte da matriz da ED é comum a outras chamadas “Educações para... - para os direitos humanos, para a paz, para o desenvolvimento sustentável, para a interculturalidade, para a igualdade de género, para a cidadania global.

O que a distingue? O foco nas desigualdades, entre países como entre regiões e entre grupos sociais: o que mina o desenvolvimento. A necessidade de compreender as suas causas e não só os seus efeitos. O compromisso com a erradicação dessas causas e não só de minorar os seus efeitos.

O que se faz em ED? Informar, sensibilizar, formar, debater, influenciar as políticas. Motivando e mobilizando as pessoas e as organizações, estimulando as suas vontades, capacidades e energias colaborativas. Porque não se trata de dizer “como é”, ou “como deve ser”, mas de descobrir “como pode ser” muito melhor e avançar para lá se chegar. Não certamente cada um por si, mas em cooperação, identidades diversas em diálogo.

A concretização de atividades e projetos de ED implicam uma compreensão e um aprofundamento contínuo do que é a ED e de como a praticar.

É isso que o CIDAC tem feito ao longo de muitos anos, envolvendo-se em iniciativas com este propósito, ou em que esta vertente é significativa e escrevendo alguns textos sobre a matéria.

No que diz respeito a iniciativas não muito longínquas, lembramos

  • o estudo feito pelo CIDAC, a pedido do então ICP (instituto da Cooperação Portuguesa), sobre uma estratégia governamental para a ED em Portugal (2001), cujos capítulos sobre o que é a ED, a ED em Porugal e a ED na Europa deram origem, mais tarde, a alguns artigos e a uma ficha formativa

  • o Fórum de Educação para a Cidadania, iniciativa lançada pela Ministra da Educação e pelo Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (2006)

  • o Intercâmbio Portugal-Áustria no domínio da ED/Educação Global (2006-2008), realizado no quadro do GENE e que teve um papel importante no lançamento da proposta de elaboração da Estratégia Nacional de ED (ENED)

  • o trabalho conjunto, de reflexão e intervenção no meio escolar, no quadro de um projeto europeu, de 4 organizações da sociedade civil do Estado Espanhol (Intermón Oxfam), Itália (agora Oxfam Itália), Malta (Inizjamed) e Portugal (CIDAC), que resultou, entre outras coisas, na elaboração e difusão de um Manifesto Internacional de Educação para a Cidadania Global (ver aqui)
  • o processo que conduziu à finalização do documento de referência da ENED e ao seu Plano de Ação (2009-2010), que proporcionou momentos marcantes de debate e aprofundamento do conceito

  • a formação sobre ED, que obriga a um esforço de concetualização e de criação de metodologias e de recursos adequados aos conteúdos

  • a procura e experimentação de metodologias coerentes com os valores e os princípios da ED como, por exemplo, a Sistematização de Experiências (ver aqui a publicação Sistematização de Experiências: aprender a dialogar com os processos e aqui o exercício realizado em março de 2009 por um conjunto de 15 ONGD no quadro da elaboração da ENED).