Atividades realizadas 2022

Ativiades realizadas no ano de 2022

Sobe sobe preço sobe

Fevereiro. Temos vindo a assistir a um crescimento gradual e quase diário dos preços de vários bens de consumo. Uma situação que começou com a paragem de alguns setores produtivos nos últimos dois anos, devido à pandemia provocada pela COVID-19, e consequente escassez de matérias-primas e materiais transformados, como as embalagens. No final de 2021, começámos a sentir um aumentonos preços da energia elétrica, que se agravaram e alargaram a outras fontes de energia, combustível, etc., como efeitoda recenteguerra na Ucrânia. Estamos hoje, em Portugal, com uma taxa de inflação de 4,1%.
A Loja de Comércio Justo não ficou imune a este efeito dominó na economia global. No último ano, a maioria dos e das produtoras, nacionais e internacionais, aumentaram os preços dos seus produtos, de modo a poderem cobrir os custos de produção. Como consequência, os preços têm sido atualizados, mantendo as mesmas margens que praticamos: 30%, no alimentar, e 50 a 100%, no artesanato, de acordo com a escala de preço de custo das peças.
Para tornar mais concreto este fenómeno, olhamos para o exemplo da cooperativa hispano-nicaraguense Espanica, que divulgou recentemente uma nota em que explica as causas do aumento, no final de 2021, do preço do café que comercializa. Nela vemos que, pelo lado dos/das produtores/as, na Nicarágua, a subida global dos custos de produção sumou-se ao impacto da passagem de dois furacões (Eta e Iota), em novembro de 2020. Este fenómeno meteorológico afetou a produção de 2021, nomeadamente, o processo de maturação da cereja do café, na planta, provocando a perda de grande parte da colheita. Pelo lado da importadora, no Estado Espanhol, não só tem que fazer um esforço económico maior para apoiar os produtores na Nicarágua, como viu os custos de importação (pagamento de contentores e frete) e os preços das matérias-primas de que necessita para elaborar e transformar o café verde aumentarem. Não deixando de lamentar as dificuldades que estes aumentos provocam nas entidades e pessoas que adquirem o seu café, a Espanica agradece a todos/as aqueles/as que se mantêm solidários/as com a cooperativa e pede que se continue a apoiar este projeto, firme no seu compromisso com os pequenos produtores. Os companheiros do Estado Espanhol que dão corpo à Espanica irão à Nicarágua, brevemente, para reunirem com os grupos de produtores associados, renovar o conhecimentodos problemas que enfrentam e procurarem formas de os apoiar.

 

Como avaliar na disciplina de

Cidadania e Desenvolvimento?

19 de janeiro. No quadro da nossa colaboração regular com a Escola Secundária de Amora (Seixal), fomos convidados pela equipa de coordenação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento para animar um processo de reflexão à volta da problemática da avaliação. Foram cerca de 26 professores e professoras que, no dia 19 de janeiro, se debruçaram sobre este tema, em torno da pergunta: “para que é que avaliamos em Cidadania e Desenvolvimento?”. Estabeleceu-se um consenso amplo sobre a valência essencialmente formativa da avaliação, devendo esta prática ser colocada essencialmente ao serviço do crescimento e das aprendizagens dos e das jovens. Tentando estabelecer-se um diagnóstico das principais dificuldades com as quais os e as docentes se confrontam no exercício avaliativo, o tema da conciliação entre subjetividade e objetividade, numa disciplina que se relaciona com princípios e valores, foi frequentemente referido. Este processo de dinamização de uma reflexão coletiva sobre avaliação irá continuar nos meses de fevereiro e março deste ano.

Redes

Março. Trabalhar em articulação com outros coletivos, numa lógica de complementaridade e de reforço mútuo, tem sido uma constante na história do CIDAC, assumindo formatos muito diferentes em função dos objetivos a que nos propomos. A partilha do espaço físico e de condições logísticas com grupos formais e informais tem sido uma forma de contribuir para linhas de trabalho que se cruzam intimamente com a nossa visão, ainda que sem uma intervenção direta da equipa do CIDAC. Na área da cooperação fizemos, desde o início, uma opção pelo trabalho em parceria com organizações locais, em detrimento de um modelo de intervenção direta com sedes e equipas de implementação expatriadas.
Esta lógica de colaboração ganha uma outra dimensão quando pensamos no trabalho em contexto de redes… O número de atores multiplica-se, a diversidade aumenta e, apesar de a assumirmos como um valor positivo, nem sempre é fácil trabalhar com ela. Conhecer e reconhecer o trabalho de cada um dos membros, e perceber que sentido pode ter a nossa participação em cada um destes espaços é um exercício necessário. Acresce que esta avaliação do contexto precisa de ser confrontada com a nossa capacidade interna de envolvimento em cada momento. Equilibrar prioridades, nossas e do coletivo, e escolher formas de participação adequadas a cada momento são princípios que procuramos seguir.
O mês de março é mês de Assembleias Gerais (AG) das associações. No que toca a redes, estivemos em dois encontros muito diferentes, em papéis também muito diferentes. Tivemos o privilégio de assistir à AG da Rede Portuguesa de Economia Solidária no dia 19, em Coimbra, enquanto observadores/as, e participámos na AG da Plataforma Portuguesa das ONGD (da qual somos membros fundadores/as) que se realizou a 30 de março, na qual assumimos atualmente a presidência do Conselho Fiscal.
Em ambos os casos foram dias inteiros de trabalho. Com uma dimensão importante de procedimentos formais, nomeadamente aprovação dos relatórios de atividades e contas relativos ao ano de 2021, valorizamos acima de tudo a oportunidade de encontro e de partilha que pode ser proporcionada nestes espaços.

 

Jornadas de ED

Publicação da memória “A digitalização, olhares a partir da Educação para o Desenvolvimento”

Janeiro. A digitalização tornou-se um tema central da problemática do desenvolvimento, e ganhou uma expressão maior no contexto específico da pandemia, com o recursos massivo às plataformas digitais. A ED não podia, deste modo, deixar de tentar olhar para esta questão, a partir de vários ângulos de reflexão e análise. A III edição das Jornadas ED, componente importante da Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (ENED) vigente, colocou então este tema no centro dos seus trabalhos. Realizada online no dia 20 de Novembro de 2021, esta edição contou com 191 participantes e intervenientes oriundos do Brasil, da Guiné-Bissau, de Portugal ou ainda da Bélgica, com um destaque específico para a participação de representantes de organizações juvenis. Terá agora a possibilidade de ler a memória do evento e de ver os vídeos das várias intervenções visitando o site da ENED ou seguindo este link.