Atividades realizadas 2026

Atividades realizadas 2026

Colóquio sobre o legado intelectual, político e cultural de Mário Pinto de Andrade

25, 28, 29 e 30 de maio. Faz quase um ano que a Casa da Cultura da Guiné-Bissau convidou o CIDAC para a realização de um colóquio dedicado a uma figura incontornável do pensamento anticolonial, Mário Pinto de Andrade, juntamente com a Associação dos Amigos de Sarah Maldoror e Mário Pinto de Andrade, a Fundação Bienal MoAC Biss e o Centro de Estudos Internacionais do ISCTE. Para esta ocasião, a equipa do CIDAC mergulhou no seu arquivo histórico do qual exumou documentos raros de e sobre Mário Pinto de Andrade, entre artigos de jornais de Angola, Cabo Verde ou São Tomé, documentos do MPLA publicados logo depois da sua instalação em Leopoldville (atual Kinshasa, RDC), em 1961, obras literárias e políticas e uma rara gravação de uma palestra do MPA dada na escola-piloto do PAIGC em Conakri sobre o seu companheiro de luta, Amílcar Cabral. A exposição que nasceu desta pesquisa foi inaugurada no dia 25 de maio na sede do CIDAC com uma roda de conversa muito participada que contou com contributos da historiadora dos movimentos de libertação Ângela Coutinho, da Livia Apa, investigadora e especialista dos Estudos Literários e Culturais dos Países de Língua Oficial Portuguesa e da Luísa Teotónio Pereira, fundadora do CIDAC. Nos dias 28 e 29 de maio, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, decorreu o colóquio que reuniu um conjunto de investigadores/as (e não só!) que descortinaram, ao longo dos dois dias, as várias facetas do Mário Pinto de Andrade (MPA). O dia 30 foi um momento cultural realizado no espaço da associação Mbongi 67, no Monte Abraão, durante o qual foi possível conversar sobre uma obra central do MPA, As Origens do Nacionalismo Africano, recentemente reeditada pela Letra Livre, ouvir poesia ao som da córa do Braima Galissa e visionar o filme de Sarah Maldoror, Sambizanga, cujo guião contou com a participação do MPA. Após o Colóquio sobre o legado cultural de Amílcar Cabral, realizado na Torre do Tombo em 2024 por ocasião do seu centenário, esta nova colaboração com a Casa da Cultura da Guiné-Bissau - enriquecida com novos parceiros - permitiu ao CIDAC reavivar a sua matriz histórica anticolonial, sempre atual no mundo de hoje.

Outras Economias. Outra Educação?

6 de maio. Chegados/as ao número 9 da revista Outras Economias, pensámos que era o momento de refletir sobre o papel educativo deste projeto editorial. E nisso juntar outras vozes e visões sobre as ligações entre as outras economias, enquanto leituras de mundo e do sistema económico e enquanto práticas alternativas ao sistema capitalista, e a educação. Entendendo educação no seu sentido lato: nos espaços formais, como a Escola e a Universidade, até às experiências de educação não formal, bem como a educação informal: aqueles espaços e tempos onde todos/as nos educamos, no trabalho, nas associações, coletivos, etc. No dia 6 de maio, conversámos sobre estas ligações, trazendo diferentes entendimentos de economia(s) e educação, num lançamento muito vivo e participado, que contou, entre outras, com a presença da cooperativa Bandim e de 3 jovens da Escola das Piscinas, dos Olivais, que contribuíram para este número da revista a propósito do Banco de Tempo existente na sua escola. Boas leituras!

Viver bem com menos

7 de março. A convite da associação Metanoia, o CIDAC participou no encontro anual de reflexão “Viver bem com menos – ousar a sobriedade e a partilha”, realizado no Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Alfragide. Ao longo do dia, cerca de 50 pessoas juntaram-se para refletir sobre a sua relação com a economia, o consumo, a natureza, o tempo, o modelo de desenvolvimento, a contemplação. Para estimular e alimentar esta reflexão, o encontro contou com intervenções da Joana Rigato, a partir do seu próprio caminho para a sobriedade e do João Wemans que abordou a temática do Decrescimento. O fim da tarde foi marcado por uma mesa redonda de partilha de experiências concretas com a participação da cooperativa Minga sobre o Cooperativismo Integral, da Coopernico sobre o fornecimento alternativo de eletricidade e as comunidades de energia e do CIDAC sobre o Comércio Justo e o Consumo Responsável, a partir da experiência da nossa loja associativa.

Lendo a OE#7 - A agricultura no Alentejo

30 de janeiro. Os círculos de leitura em volta da Outras Economias já se vão tornando um (salutar) hábito para vários/as dos/as seus/as leitores/as. Escolhemos um texto de análise profunda sobre uma realidade que nos é tão próxima: "A marcha da financeirização sobre as terras agrícolas: a prova-de-conceito do agronegócio no Alentejo - Socializar o risco: investimento público ao serviço de alguns", para uma conversa animada na Casa da Achada. Para além do texto, tivemos azeitonas e azeite para alimentar a discussão. E a conversa fluiu que nem ginjas, desde a recepção das populações ao projeto de regadio do Alqueva, como algo que prometia um futuro melhor, à realidade hoje vivida no Baixo Alentejo: concentração fundiária, empresas sem rosto, monocultura de olival, impactos ambientais e na saúde das populações, e as condições de vida de quem trabalha atualmente nestas explorações foram algumas das questões debatidas. E o que podemos fazer? Procurar azeite oriundo de produtores/as de olival tradicional, juntarmo-nos às vozes das populações que lutam contra o avanço do olival quase até à sua porta, entre outros. Ficou um misto de gosto amargo pelo presente e futuro desta região, mas com uma pitada de esperança, sobretudo de continuarmos a ler e a discutir em conjunto.
E foi, precisamente, ao Alentejo, mais concretamente a Beja, que nos dirigimos para, juntamente com o Pedro Horta e com a AMAP Beja, apresentarmos este número da revista, no café A Pracinha a 5 de fevereiro. O mau tempo convidou a ficar em casa, mas mesmo assim tivemos quase três horas à conversa sobre como se vive esta nova realidade - do olival e de outras monoculturas intensivas - na pele.

Vozes e Lutas dos territórios - uma conversa a partir da OE7

14 de janeiro. No sétimo número da revista Outras Economias – "Agri-culturas – Os campos em disputa?", construído com Leonor Coimbra e Pedro Horta, procurámos algumas respostas para as questões: quem nos alimenta? O que nos alimenta? Quem ganha com o que nos alimenta? O que produz a agricultura? A partir destes conteúdos, organizámos um webinario com algumas das pessoas que contribuíram para esta edição, para darem uma panorâmica e um testemunho sobre as lutas que as comunidades e as organizações camponesas levam a cabo nos seus territórios, sobre o que incidem, ou seja, os problemas enfrentam, como se organizam e como se podem fortalecer elos de solidariedade entre todos e todas. Contámos com a presença de Aida Fernandes, da Unidos Em Defesa de Covas do Barroso; Benjamin Macas, da Confederación Campesina Agroecológica del Ecuador; de Eric Chaurette, da organização Interpares (Canadá); de Miguel de Barros, da Tiniguena (Guiné-Bissau) e de Gustavo Duch, da revista Soberanía Alimentaria (Estado Espanhol). Os testemunhos trouxeram análises complexas sobre os atores e os mecanismos que têm conduzido ao desaparecimento das comunidades camponesas e aos seus modos de vida, as diferenças e semelhanças entre os distintos territórios, o sentimento de profunda injustiça sobre esses ataques, mas também sobre as formas que a resistência e a construção de alternativas podem assumir: desde as cosmovisões às estruturas jurídicas consuetudinárias locais em relação à terra, até à construção popular e coletiva de políticas públicas relativas à alimentação. Pode ver a gravação aqui.

Dia Mundial do Comércio Justo

9, 11 e 13 de maio. Desde 2004, o segundo sábado de maio é Dia Mundial do Comércio Justo, uma iniciativa da Organização Mundial do Comércio Justo (WFTO) que visa dar maior visibilidade a esta alternativa económica. Este ano, a Loja de Comércio Justo do CIDAC organizou uma prova de café da Nicarágua da Cooperativa EspaNica e de Chá Rooibos da África do Sul da Cooperativa Wupperthal Original Coop, acompanhados com pão de massa mãe do Montijo e doce de abóbora, laranja e gengibre da empresa familiar Nobre Terra de Palmela. No dia 11, fomos ao Liceu Camões para uma conversa sobre Comércio Justo com duas turmas do 10.º e do 11.º ano que, ao longo da semana, instalaram a nossa exposição O Comércio por ser Justo! e organizaram uma banca de vendas dos produtos da loja. No dia 13, na Escola Secundária José Gomes Ferreira, os alunos e alunas membros do Clube de Comércio Justo dinamizaram animações na loja pedagógica que funciona em parceria com o CIDAC, e demos uma conferência sobre as Outras Economias, na qual a revista com o mesmo título ocupou um lugar central, num auditório lotado! Mas não se esqueça, o Comércio Justo é como lavar os dentes, é melhor todos os dias do que só uma vez por ano!

Economia(s) para transformar o mundo

29 de abril a 13 de maio. A revista Outras Economias tem sido uma plataforma de trabalho colaborativo com outros, em várias dimensões, incluindo a formativa. Já realizámos algumas ações de formação destinadas a professores/as e educadores/as do sistema formal de ensino. Desta feita, imaginámos um percurso formativo para educadores/as de ONGDs, de organizações da sociedade civil em geral e de pessoas de instituições publicas ligadas à Educação para o Desenvolvimento (ED). Em conjunto com a Plataforma Portuguesa de ONGD organizámos uma sequência de 3 webinarios em torno da reflexão e da prática da ED, com foco na dimensão económica, a partir da revista. Foram cerca de 20 as pessoas que participaram ativamente ao longo da formação, que trouxe visões e experiências heterogéneas mas preocupações comuns: o que fazer, individual e coletivamente, para criar sistemas económicos mais justos e solidários? Explorámos diferentes formas de o fazer à luz da ED: em práticas educativas, na mobilização com outros/as e/ou no exercício de influência política. Esta série de webinarios foi mais uma experiência de formação rica e mobilizadora!

Explorando a dimensão económica da Cidadania e do Desenvolvimento

7 de fevereiro a 11 de março. A partir da revista Outras Economias e da experiência das formações para professores/as, de curta duração, já realizadas sobre os diferentes temas da revista, organizámos um curso de formação acreditado com uma componente presencial e uma componente online. Tal como as anteriores formações, o processo de certificação resultou de uma parceria com o Centro de Formação de Professores Orlando Ribeiro, da APROGEO. Começámos por explorar os valores e as dimensões da Educação para o Desenvolvimento e da Cidadania e Desenvolvimento, ligando-as ao campo das Outras Economias, seja como leitura crítica do sistema económico seja como proponente de alternativas concretas ao mesmo. Desafiámos os e as 13 professores/as que participaram a pesquisarem sobre 3 temas dos últimos números da revista (cooperativismo, acordos de comércio livre e agricultura) e sucessivamente a criarem percursos pedagógicos sobre o resultado das suas pesquisas. As 4 sessões do curso foram momentos ricos de partilha de conhecimentos e de práticas, num ambiente caloroso e de envolvimento de todos/as, materializando o que concebemos enquanto prática de ED. Reconhecendo que a economia, e sobretudo as visões críticas e alternativas da mesma, estão bastante ausentes da Escola (à excepção da própria disciplina no ensino secundário) os e as professoras testemunharam que formações desta natureza são muito importantes para poder introduzi-las nas práticas pedagógicas. Ficou o desejo comum de organizar mais!

Outras Economias #8: A dívida!

4 de março. "A Dívida: quem deve a quem?" dá o mote ao 8.º número da revista Outras Economias, pensado e coconstruído com a FEC, e que foi apresentado no foyer da Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda. As intervenções iniciais de Alexandre Abreu, Eugénia Pires e Márcia Carvalho alimentaram o debate sobre o que é a dívida, como ela afeta as populações e as relações entre o norte e o sul global, ficando no ar como se poderia imaginar um sistema financeiro internacional justo e que respondesse efetivamente às necessidades dos países. Apesar de ser um tema arredado dos media, sobretudo no pós-troika, juntou-se uma aconchegante plateia de cerca de 25 pessoas no espaço gentilmente cedido pelo Largo Residências.

Injustiças sociais e ambientais à nossa mesa – um olhar crítico sobre o negócio dos alimentos

23 de janeiro. Realizou-se no Terraço do Graal, uma sessão de debate integrada no ciclo Jovens no Terraço, do Graal, e no ciclo de animação do número 7 da revista Outras Economias.  A sessão começou com uma roda de partilha, em que cada participante identificou onde costuma adquirir os seus alimentos. Apesar de algumas pessoas recorrerem a mercados, mercearias de bairro, cabazes da PROVE ou à loja do Comércio Justo do CIDAC, concluiu-se que a maioria dos alimentos consumidos pelas pessoas presentes é adquirida em supermercados. A partir desta constatação, a conversa evoluiu para os impactos sociais e ambientais dos nossos consumos alimentares. A conversa foi “como as cerejas”, encadeando-se vários temas: agricultura intensiva, organismos geneticamente modificados, sementes transgénicas, a problemática da água, o desperdício alimentar, o consumo de energia, as condições de trabalho das pessoas envolvidas na cadeia de produção e distribuição dos alimentos, incluindo quem produz para os supermercados e quem neles trabalha, a alimentação como cultura. Ficou o desafio de revermos alguns hábitos do nosso consumo alimentar, pela nossa saúde, pelos direitos e dignidade das pessoas envolvidas nas cadeias dos produtos agroalimentares e pela preservação dos ecossistemas atualmente em risco. Houve ainda tempo para o vídeo “Comer … tem muitas camadas! Um roteiro para a Soberania Alimentar” e para um jantar delicioso fornecido pela cooperativa de mulheres imigrantes Bandim. Agradecemos ao Graal por esta bela colaboração!